As primeiras letras através do samba, é isso que a professora Vanessa de Abreu Camasmie propõe, ela entrou na sala de aula com máscaras, confetes e muito samba. Os treze alunos, entre 30 e 70 anos, adoraram. A proposta da professora, mestranda da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, era possibilitar o aprimoramento da leitura e da escrita por meio da leitura de marchinhas carnavalescas. A maioria dos alunos da turma Mangueira I não havia concluído o ensino fundamental, enquanto outros nunca tinham ido à escola. O trabalho fluiu bem, uma vez que é difícil ser carioca e não ter conhecimento sobre Carnaval. Agora, Vanessa de Abreu compartilha sua experiência de ensinar. Confira.
Conexão Professor (CP) - Como surgiu o seu interesse pelo tema Carnaval / Marchinhas?
Vanessa de Abreu - Na verdade, eu nunca pensei em realizar um trabalho pedagógico com o tema Carnaval. Esse tema surgiu a partir de conversas informais com os alunos, que tinham como assunto recorrente o Carnaval devido, principalmente, à presença de um compositor de samba na turma. O interesse se intensificou com o tema anual de estudo proposto pela equipe pedagógica do Proalfa (Programa de Alfabetização, Documentação e Informação da UERJ) que, naquele ano, 2006, foi “Língua Portuguesa: uma janela para o mundo”.
A partir do interesse dos alunos e do tema anual proposto, sugeri à turma que estudássemos o Carnaval, tendo em vista o fato de a origem do samba e do carnaval ser fora do Brasil, o que possibilitou a ida para o “mundo” com os alunos, e a presença da Língua Portuguesa em todo o trabalho pedagógico, especificamente nas marchinhas carnavalescas.
CP - Que aspectos devem ser considerados pelos professores para abordar esses temas em sala de aula?
Vanessa de Abreu - Penso que é imprescindível considerar todas as experiências que os alunos têm relacionadas ao carnaval, sejam elas quais forem. Em cada uma, podemos construir alguma reflexão com os alunos. Entretanto, não podemos construir um trabalho pedagógico somente com as experiências deles. Faz-se necessário também o trabalho com os conteúdos que a escola tem a responsabilidade de ensinar.
CP - O Carnaval e as Marchinhas podem ser trabalhados de forma multidisciplinar?
Vanessa de Abreu - Com toda a certeza. No trabalho que desenvolvi, o estudo da origem do samba e do Carnaval propiciou o cruzamento das seguintes disciplinas: História, com as leituras de como o Carnaval e o samba chegaram ao Brasil e suas trajetórias até os dias atuais; Geografia, com a identificação em mapas dos países que originaram o Carnaval e o samba e das regiões brasileiras que os receberam de maneira significativa; Matemática, por meio da contabilização do quanto os alunos gastam, em média, no período do Carnaval e do custo de assistir ao desfile das escolas de samba na Sapucaí.
Com relação à produção de paródias de marchinhas carnavalescas, as disciplinas Língua Portuguesa, Música e Artes perpassaram umas as outras, enriquecendo de maneira significativa o trabalho pedagógico. A Língua Portuguesa entrou no projeto com a produção textual de marchinhas já conhecidas e de paródias destas, da leitura de textos informativos e literários e da análise linguística que era pensada com base nos textos que os alunos escreviam; a Música, com a participação dos alunos em ensaios semanais no setor de Folclore da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pois tínhamos o intuito de, ao final do projeto, tocarmos para o público as marchinhas estudadas; e as Artes, com a ida a uma exposição de folclore e a leitura de textos literários relativos à temática.
CP - Como esses temas podem ajudar os alunos que estão em processo de alfabetização?
Vanessa de Abreu - Os alunos que estão em processo de alfabetização precisam ler, produzir textos, refletir sobre o sistema alfabético de escrita, ampliar seu repertório cultural e refletir sobre questões sociais relativas ao tema em estudo. Essas tarefas são possíveis de serem realizadas com o trabalho pedagógico com diversos temas, desde que sejam abrangentes o suficiente para que os alunos possam realizar as atividades listadas acima.
CP - Qual a importância de se valorizar a cultura popular e o folclore nas escolas?
Vanessa de Abreu - A importância de se valorizar a cultura popular e o folclore nas escolas deve-se ao fato de que tal valorização propicia, para alunos e professores, a reflexão sobre a relação da cultura popular e do folclore com as suas vidas e com a sociedade em que vivem.
Conexão Professor (CP) - Como surgiu o seu interesse pelo tema Carnaval / Marchinhas?
Vanessa de Abreu - Na verdade, eu nunca pensei em realizar um trabalho pedagógico com o tema Carnaval. Esse tema surgiu a partir de conversas informais com os alunos, que tinham como assunto recorrente o Carnaval devido, principalmente, à presença de um compositor de samba na turma. O interesse se intensificou com o tema anual de estudo proposto pela equipe pedagógica do Proalfa (Programa de Alfabetização, Documentação e Informação da UERJ) que, naquele ano, 2006, foi “Língua Portuguesa: uma janela para o mundo”.
A partir do interesse dos alunos e do tema anual proposto, sugeri à turma que estudássemos o Carnaval, tendo em vista o fato de a origem do samba e do carnaval ser fora do Brasil, o que possibilitou a ida para o “mundo” com os alunos, e a presença da Língua Portuguesa em todo o trabalho pedagógico, especificamente nas marchinhas carnavalescas.
CP - Que aspectos devem ser considerados pelos professores para abordar esses temas em sala de aula?
Vanessa de Abreu - Penso que é imprescindível considerar todas as experiências que os alunos têm relacionadas ao carnaval, sejam elas quais forem. Em cada uma, podemos construir alguma reflexão com os alunos. Entretanto, não podemos construir um trabalho pedagógico somente com as experiências deles. Faz-se necessário também o trabalho com os conteúdos que a escola tem a responsabilidade de ensinar.
CP - O Carnaval e as Marchinhas podem ser trabalhados de forma multidisciplinar?
Vanessa de Abreu - Com toda a certeza. No trabalho que desenvolvi, o estudo da origem do samba e do Carnaval propiciou o cruzamento das seguintes disciplinas: História, com as leituras de como o Carnaval e o samba chegaram ao Brasil e suas trajetórias até os dias atuais; Geografia, com a identificação em mapas dos países que originaram o Carnaval e o samba e das regiões brasileiras que os receberam de maneira significativa; Matemática, por meio da contabilização do quanto os alunos gastam, em média, no período do Carnaval e do custo de assistir ao desfile das escolas de samba na Sapucaí.
Com relação à produção de paródias de marchinhas carnavalescas, as disciplinas Língua Portuguesa, Música e Artes perpassaram umas as outras, enriquecendo de maneira significativa o trabalho pedagógico. A Língua Portuguesa entrou no projeto com a produção textual de marchinhas já conhecidas e de paródias destas, da leitura de textos informativos e literários e da análise linguística que era pensada com base nos textos que os alunos escreviam; a Música, com a participação dos alunos em ensaios semanais no setor de Folclore da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pois tínhamos o intuito de, ao final do projeto, tocarmos para o público as marchinhas estudadas; e as Artes, com a ida a uma exposição de folclore e a leitura de textos literários relativos à temática.
CP - Como esses temas podem ajudar os alunos que estão em processo de alfabetização?
Vanessa de Abreu - Os alunos que estão em processo de alfabetização precisam ler, produzir textos, refletir sobre o sistema alfabético de escrita, ampliar seu repertório cultural e refletir sobre questões sociais relativas ao tema em estudo. Essas tarefas são possíveis de serem realizadas com o trabalho pedagógico com diversos temas, desde que sejam abrangentes o suficiente para que os alunos possam realizar as atividades listadas acima.
CP - Qual a importância de se valorizar a cultura popular e o folclore nas escolas?
Vanessa de Abreu - A importância de se valorizar a cultura popular e o folclore nas escolas deve-se ao fato de que tal valorização propicia, para alunos e professores, a reflexão sobre a relação da cultura popular e do folclore com as suas vidas e com a sociedade em que vivem.
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