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| “O Ângelus”, de Jean-François Millet (1859) |
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“Reminiscência Arqueológica d'O Ângelus de Millet”, de Salvador Dalí (1935) |
O texto abaixo, retirado do site “ conexão professor”, foi criado a partir de uma aula. Não sei se uma aula gravada que foi transcrita, ou o próprio professor falando para a produção do texto, se de aula virtual, etc. Mas enfim, o texto é muito interessante e vale a pena conferir............
Você já deve ter ouvido a polêmica adaptação à frase de Lavoisier: “Nada se cria, tudo se copia”. E que tal essa: “Nada se cria, tudo se baixa”? Pois bem, o assunto é mais delicado do que parece: envolve ética, direitos autorais, pirataria e, em algumas ocasiões, pode até configurar crime instituído por lei.
O problema é que desde o modelo de produção em massa inaugurado por Henry Ford, que revolucionou a indústria automobilística na primeira metade do século XX, ficou difícil distinguir o original da cópia. Desde então o burburinho nunca mais se calou:
- Deixem que se reproduza em série! E viva a democratização da obra de arte! (exalta-se Walter Benjamin, em seu lendário ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, 1985).
- Sei não... A racionalização da produção é ferramenta e álibi do grande capital. Estamos presenciando a tão insensata queda da “aura”... (lamenta-se Theodor Adorno, em seu artigo intitulado “A Indústria Cultural”, 1986).
Silêncio, por favor. Deixem as conversas paralelas e nos voltemos ao tema central desta aula: “Ctrl C - Ctrl V: por um roubo que é pura criação”. Quem nunca executou o famoso “copia e cola” para um fim bastante justificável que atire a primeira pedra...
Opa!!! Mãos ao alto!!! Peguei você no flagra...
Não se trata de se apropriar deliberadamente de um pensamento alheio. Muito menos de aposentar os neurônios e fazer download de um Google qualquer. Se você faz isso, um “z-e-r-o” bem redondo é o que merece. Existem colas e colas... Umas admissíveis, outras nem tanto. Convenhamos: algumas tantas, mega recomendáveis!!!
A questão é a seguinte: se você se sente um foragido da polícia por apenas operar um Ctrl C - Ctrl V inocente, chega de culpa! E assuma o ato com escrúpulos.
Vamos por partes...
O problema é que desde o modelo de produção em massa inaugurado por Henry Ford, que revolucionou a indústria automobilística na primeira metade do século XX, ficou difícil distinguir o original da cópia. Desde então o burburinho nunca mais se calou:
- Deixem que se reproduza em série! E viva a democratização da obra de arte! (exalta-se Walter Benjamin, em seu lendário ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, 1985).
- Sei não... A racionalização da produção é ferramenta e álibi do grande capital. Estamos presenciando a tão insensata queda da “aura”... (lamenta-se Theodor Adorno, em seu artigo intitulado “A Indústria Cultural”, 1986).
Silêncio, por favor. Deixem as conversas paralelas e nos voltemos ao tema central desta aula: “Ctrl C - Ctrl V: por um roubo que é pura criação”. Quem nunca executou o famoso “copia e cola” para um fim bastante justificável que atire a primeira pedra...
Opa!!! Mãos ao alto!!! Peguei você no flagra...
Não se trata de se apropriar deliberadamente de um pensamento alheio. Muito menos de aposentar os neurônios e fazer download de um Google qualquer. Se você faz isso, um “z-e-r-o” bem redondo é o que merece. Existem colas e colas... Umas admissíveis, outras nem tanto. Convenhamos: algumas tantas, mega recomendáveis!!!
A questão é a seguinte: se você se sente um foragido da polícia por apenas operar um Ctrl C - Ctrl V inocente, chega de culpa! E assuma o ato com escrúpulos.
Vamos por partes...
Você conhece a emblemática fórmula: “Os fins justificam os meios”? Pois então. Se a intenção for das melhores, não há porque abandonar tudo o que já foi patenteado pela humanidade... As informações estão aí, justamente para gerar o novo conhecimento. O segredo está em acionar o radar seletivo sobre as mais diversas redes de dados e se lançar às conexões!
Agora, em qualquer ambiente em que quantidade vale mais que qualidade, há muita porcaria. É natural. Mas não para você, caro inventor, que não vai cair nesta, vai? Intenções maquiavélicas de lado, basta reunir relíquias do conhecimento (copiar mesmo...) e adotar um fim que seja pura criação. Afinal, se estiver atento, vai saber trafegar com precisão pelo fluxo informacional disponível e dele sacar uma obra explicitamente autoral. A digital é sua.
Por um roubo poético
O recurso é semelhante ao de um processo de montagem cinematográfica. Aqui, são capturados e eleitos os melhores planos para a disposição em série. Acopla-se áudio, trilha sonora e efeitos sobre os cortes. Tudo meticulosamente harmonizado. Os encaixes são precisos. Agora, se você acha que a colagem cinematográfica é aleatória, engano seu. Vale aqui um largo repertório de inspirações, cenas que são rigidamente espelhadas, ou melhor, copiadas de obras anteriores. Verdadeiros flagras da grande arte. E nisso, não há mal algum. Desde que se alimente com os próprios polegares a reinvenção.
Pedro Almodóvar que o diga, no livro “Grandes Diretores de Cinema”, de Laurent Tirard: “Tomar emprestado é um equívoco, para mim, só o roubo é plenamente justificável”. Se o cineasta espanhol autorizou, então vamos ao que interessa: é hora de treinar a mão leve! É Ctrl C - Ctrl V, mas façam-no com boa fé.
Os alquimistas estão chegando...
Se você é também um alquimista da criação, chegue mais e teste a sua hipótese. Em primeiro lugar, observe. Investigue. Pesquise. Há diversos sites de busca, bibliotecas virtuais, livros para download... Capture as informações necessárias e as conserve em ambiente fresco e arejado (em qualquer compartimento de sua memória, lógico! Ou... faça uso de breves anotações). Depois, com a ajuda de tubos de ensaios, pipetas, buretas etc., deposite as tais substâncias (= dados coletados) e as deixe reagir. Da captura fiel do que já existe disponível em rede, você cria a sua própria alquimia. Seja implacável, mas imparcial na interpretação dos resultados. O público é o seu medidor... Espectadores, leitores e usuários de todo o planeta! Preparem-se para comprovar a hipótese: digam lá... A invenção é pra lá de autêntica!
Amigos e amigas, façamos a invenção na web! Com classe.
Utilizar-se dos múltiplos estímulos e informações que a Internet lhe oferece para criar uma legítima obra autoral pode ser uma alternativa bastante louvável. Sobretudo, se produzir autenticidades é a sua... Basta domínio técnico, uma boa dose de criatividade e mãos à obra. Destrua paradigmas e esteja aberto a novas tendências. Reinvente-se o tempo inteiro. Assuma como suas, partes de histórias que até então não lhe pertenciam - e construa o seu próprio caminho.
Bom, agora que ensinamos a “roubar”, vamos ao segundo passo do plano: tome as peças de outros e empreste a sua versão crítica à criação! Gerar conhecimento é sua responsabilidade. E não apenas do educador. As novas mídias são participativas, fique ligado.
A voz da experiência: Carlos Nepomuceno
Segundo Carlos Nepomuceno, professor e consultor de planejamento estratégico de informação, o aluno que apenas copia, sem estabelecer uma relação crítica com o que lhe é questionado, talvez não esteja sendo estimulado a interpretar. O estudante reconhece os signos, mas não os seus significados, nem o encaixe entre eles.
- O problema não está na cópia, talvez esta seja uma resposta inteligente para uma pergunta burra. Os alunos não sabem interpretar porque não são estimulados. Essa geração y, a que tem a internet desde que nasceu, tem facilidade de mexer com tecnologia, mas uma incapacidade de trabalhar conceitos consistentes.
Agora, em qualquer ambiente em que quantidade vale mais que qualidade, há muita porcaria. É natural. Mas não para você, caro inventor, que não vai cair nesta, vai? Intenções maquiavélicas de lado, basta reunir relíquias do conhecimento (copiar mesmo...) e adotar um fim que seja pura criação. Afinal, se estiver atento, vai saber trafegar com precisão pelo fluxo informacional disponível e dele sacar uma obra explicitamente autoral. A digital é sua.
Por um roubo poético
O recurso é semelhante ao de um processo de montagem cinematográfica. Aqui, são capturados e eleitos os melhores planos para a disposição em série. Acopla-se áudio, trilha sonora e efeitos sobre os cortes. Tudo meticulosamente harmonizado. Os encaixes são precisos. Agora, se você acha que a colagem cinematográfica é aleatória, engano seu. Vale aqui um largo repertório de inspirações, cenas que são rigidamente espelhadas, ou melhor, copiadas de obras anteriores. Verdadeiros flagras da grande arte. E nisso, não há mal algum. Desde que se alimente com os próprios polegares a reinvenção.
Pedro Almodóvar que o diga, no livro “Grandes Diretores de Cinema”, de Laurent Tirard: “Tomar emprestado é um equívoco, para mim, só o roubo é plenamente justificável”. Se o cineasta espanhol autorizou, então vamos ao que interessa: é hora de treinar a mão leve! É Ctrl C - Ctrl V, mas façam-no com boa fé.
Os alquimistas estão chegando...
Se você é também um alquimista da criação, chegue mais e teste a sua hipótese. Em primeiro lugar, observe. Investigue. Pesquise. Há diversos sites de busca, bibliotecas virtuais, livros para download... Capture as informações necessárias e as conserve em ambiente fresco e arejado (em qualquer compartimento de sua memória, lógico! Ou... faça uso de breves anotações). Depois, com a ajuda de tubos de ensaios, pipetas, buretas etc., deposite as tais substâncias (= dados coletados) e as deixe reagir. Da captura fiel do que já existe disponível em rede, você cria a sua própria alquimia. Seja implacável, mas imparcial na interpretação dos resultados. O público é o seu medidor... Espectadores, leitores e usuários de todo o planeta! Preparem-se para comprovar a hipótese: digam lá... A invenção é pra lá de autêntica!
Amigos e amigas, façamos a invenção na web! Com classe.
Utilizar-se dos múltiplos estímulos e informações que a Internet lhe oferece para criar uma legítima obra autoral pode ser uma alternativa bastante louvável. Sobretudo, se produzir autenticidades é a sua... Basta domínio técnico, uma boa dose de criatividade e mãos à obra. Destrua paradigmas e esteja aberto a novas tendências. Reinvente-se o tempo inteiro. Assuma como suas, partes de histórias que até então não lhe pertenciam - e construa o seu próprio caminho.
Bom, agora que ensinamos a “roubar”, vamos ao segundo passo do plano: tome as peças de outros e empreste a sua versão crítica à criação! Gerar conhecimento é sua responsabilidade. E não apenas do educador. As novas mídias são participativas, fique ligado.
A voz da experiência: Carlos Nepomuceno
Segundo Carlos Nepomuceno, professor e consultor de planejamento estratégico de informação, o aluno que apenas copia, sem estabelecer uma relação crítica com o que lhe é questionado, talvez não esteja sendo estimulado a interpretar. O estudante reconhece os signos, mas não os seus significados, nem o encaixe entre eles.
- O problema não está na cópia, talvez esta seja uma resposta inteligente para uma pergunta burra. Os alunos não sabem interpretar porque não são estimulados. Essa geração y, a que tem a internet desde que nasceu, tem facilidade de mexer com tecnologia, mas uma incapacidade de trabalhar conceitos consistentes.




