sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ctrl C - Ctrl V: Copie e Cole............ sem culpa.


“O Ângelus”, de Jean-François Millet (1859)

“Reminiscência Arqueológica d'O Ângelus
de Millet”, de Salvador Dalí (1935)













O texto abaixo, retirado do site “ conexão professor”, foi criado a partir de uma aula. Não sei se uma aula gravada que foi transcrita, ou o próprio professor falando para a produção do texto, se de aula virtual, etc. Mas enfim, o texto é muito interessante e vale a pena  conferir............ 

Você já deve ter ouvido a polêmica adaptação à frase de Lavoisier: “Nada se cria, tudo se copia”. E que tal essa: “Nada se cria, tudo se baixa”? Pois bem, o assunto é mais delicado do que parece: envolve ética, direitos autorais, pirataria e, em algumas ocasiões, pode até configurar crime instituído por lei.
O problema é que desde o modelo de produção em massa inaugurado por Henry Ford, que revolucionou a indústria automobilística na primeira metade do século XX, ficou difícil distinguir o original da cópia. Desde então o burburinho nunca mais se calou:
- Deixem que se reproduza em série! E viva a democratização da obra de arte! (exalta-se Walter Benjamin, em seu lendário ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, 1985).
- Sei não... A racionalização da produção é ferramenta e álibi do grande capital. Estamos presenciando a tão insensata queda da “aura”... (lamenta-se Theodor Adorno, em seu artigo intitulado “A Indústria Cultural”, 1986).
Silêncio, por favor. Deixem as conversas paralelas e nos voltemos ao tema central desta aula: “Ctrl C - Ctrl V: por um roubo que é pura criação”. Quem nunca executou o famoso “copia e cola” para um fim bastante justificável que atire a primeira pedra...

Opa!!! Mãos ao alto!!! Peguei você no flagra...
Não se trata de se apropriar deliberadamente de um pensamento alheio. Muito menos de aposentar os neurônios e fazer download de um Google qualquer. Se você faz isso, um “z-e-r-o” bem redondo é o que merece. Existem colas e colas... Umas admissíveis, outras nem tanto. Convenhamos: algumas tantas, mega recomendáveis!!!
A questão é a seguinte: se você se sente um foragido da polícia por apenas operar um Ctrl C - Ctrl V inocente, chega de culpa! E assuma o ato com escrúpulos.

Vamos por partes...
Você conhece a emblemática fórmula: “Os fins justificam os meios”? Pois então. Se a intenção for das melhores, não há porque abandonar tudo o que já foi patenteado pela humanidade... As informações estão aí, justamente para gerar o novo conhecimento. O segredo está em acionar o radar seletivo sobre as mais diversas redes de dados e se lançar às conexões!
Agora, em qualquer ambiente em que quantidade vale mais que qualidade, há muita porcaria. É natural. Mas não para você, caro inventor, que não vai cair nesta, vai? Intenções maquiavélicas de lado, basta reunir relíquias do conhecimento (copiar mesmo...) e adotar um fim que seja pura criação. Afinal, se estiver atento, vai saber trafegar com precisão pelo fluxo informacional disponível e dele sacar uma obra explicitamente autoral. A digital é sua.

Por um roubo poético
O recurso é semelhante ao de um processo de montagem cinematográfica. Aqui, são capturados e eleitos os melhores planos para a disposição em série. Acopla-se áudio, trilha sonora e efeitos sobre os cortes. Tudo meticulosamente harmonizado. Os encaixes são precisos. Agora, se você acha que a colagem cinematográfica é aleatória, engano seu. Vale aqui um largo repertório de inspirações, cenas que são rigidamente espelhadas, ou melhor, copiadas de obras anteriores. Verdadeiros flagras da grande arte. E nisso, não há mal algum. Desde que se alimente com os próprios polegares a reinvenção.
Pedro Almodóvar que o diga, no livro “Grandes Diretores de Cinema”, de Laurent Tirard: “Tomar emprestado é um equívoco, para mim, só o roubo é plenamente justificável”. Se o cineasta espanhol autorizou, então vamos ao que interessa: é hora de treinar a mão leve! É Ctrl C - Ctrl V, mas façam-no com boa fé.

Os alquimistas estão chegando...
Se você é também um alquimista da criação, chegue mais e teste a sua hipótese. Em primeiro lugar, observe. Investigue. Pesquise. Há diversos sites de busca, bibliotecas virtuais, livros para download... Capture as informações necessárias e as conserve em ambiente fresco e arejado (em qualquer compartimento de sua memória, lógico! Ou... faça uso de breves anotações). Depois, com a ajuda de tubos de ensaios, pipetas, buretas etc., deposite as tais substâncias (= dados coletados) e as deixe reagir. Da captura fiel do que já existe disponível em rede, você cria a sua própria alquimia. Seja implacável, mas imparcial na interpretação dos resultados. O público é o seu medidor... Espectadores, leitores e usuários de todo o planeta! Preparem-se para comprovar a hipótese: digam lá... A invenção é pra lá de autêntica!

Amigos e amigas, façamos a invenção na web! Com classe.
Utilizar-se dos múltiplos estímulos e informações que a Internet lhe oferece para criar uma legítima obra autoral pode ser uma alternativa bastante louvável. Sobretudo, se produzir autenticidades é a sua... Basta domínio técnico, uma boa dose de criatividade e mãos à obra. Destrua paradigmas e esteja aberto a novas tendências. Reinvente-se o tempo inteiro. Assuma como suas, partes de histórias que até então não lhe pertenciam - e construa o seu próprio caminho.
Bom, agora que ensinamos a “roubar”, vamos ao segundo passo do plano: tome as peças de outros e empreste a sua versão crítica à criação! Gerar conhecimento é sua responsabilidade. E não apenas do educador. As novas mídias são participativas, fique ligado.

A voz da experiência: Carlos Nepomuceno
Segundo Carlos Nepomuceno, professor e consultor de planejamento estratégico de informação, o aluno que apenas copia, sem estabelecer uma relação crítica com o que lhe é questionado, talvez não esteja sendo estimulado a interpretar. O estudante reconhece os signos, mas não os seus significados, nem o encaixe entre eles.
- O problema não está na cópia, talvez esta seja uma resposta inteligente para uma pergunta burra. Os alunos não sabem interpretar porque não são estimulados. Essa geração y, a que tem a internet desde que nasceu, tem facilidade de mexer com tecnologia, mas uma incapacidade de trabalhar conceitos consistentes.

Um comentário:

  1. A fala sério nér?Quem nunca apertou Ctrl C - Ctrl V q atire e primeira pedra HAHAHHAHAHAHHAHAHA ESSA FOI UMA DAS MELHORES invenções já criada como isso nos ajuda nos trabalhos escolares adoreiii a postagem Hugo

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